quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A PROLE E HISTÓRIA DE JOSÉ FOERSTER

Algumas imagens não puderam ser postadas por bloqueio, mas vale o texto.

A exemplo de Paulo, José nasceu na atual Fazenda Canaã, em 27 de fevereiro de 1921. Foi batizado na igreja da Nossa Senhora da Piedade, Rua do Lima, Recife, em 03 de abril de 1921, sendo seus padrinhos, o casal Guilherme Cristovão e Angelina Martins Auler. Estudou todo primário na Escola Pública Estadual Mista de Sanharó, no período de 1929 a 1933, com a professora Philadelfia Bezerra de Mello.
Como o sonho de sua mãe Olindina, ou mesmo uma obstinação era ter um filho padre, fato que o influenciou intensamente, José, ainda criança, foi levado ao Seminário de Olinda, onde realizou os seus estudos e quando faltavam apenas dois anos para a sua ordenação, tomou a decisão, provavelmente mais difícil até então vivenciada: não seguir o sacerdócio, porém permaneceu católico fervoroso e por demais ligado à comunidade eclesiástica.
Os anos vividos em Olinda fizeram com que José tivesse uma admiração impar para com aquela cidade e especialmente com o seu seminário. Perdeu a igreja um sacerdote, mas ganhou o magistério e a magistratura um excelente profissional de conduta ilibada.
Ao deixar o seminário, fixou-se inicialmente em Pesqueira lecionando no Ginásio Cristo Rei, onde desfrutou da amizade e respeito não só da comunidade pesqueirense, mas do alunado e dos próprios padres e bispo da Diocese.
Vislumbrando uma carreira jurídica, deixa Pesqueira e parte para Recife em busca do curso de direito. Ao se submeter aos exames para o vestibular, faz a prova oral de latim, falando fluentemente a língua latina, o que lhe valeu uma das primeiras colocações no vestibular.
Residindo em república de estudante e para se manter, passa a ensinar nos mais conceituados colégios da capital pernambucana, como colégio Nóbrega, Salesiano, Padre Félix, Americano Batista, Ginásio Pernambucano, Pinto Júnior, etc.
Casal José eYvone Foerster
Foi como professor que conheceu a aluna Yvone Oliveira Cavalcante, por quem se apaixonou e contraiu núpcias em 1949 passando a residir na Rua Manoel de Carvalho, Espinheiro em Recife.
Certa vez tia Yvone, que além sobrinho me considerava o filho mais velho, confidenciou-me que seus olhos ao se depararem diante daquele professor de terno branco, elegante, educado, inteligente, atencioso e cheiroso sentiu-se apaixonada, foi amor de primeira vista por “Zeca”.
Para os sobrinhos, José e Yvone eram mais que tios e professores eram amigos, confidentes, os seus segundos pais. Suas presenças em Canaã nos períodos de férias eram ansiosamente aguardadas, pois eram sinônimos de alegria e diversão.
José Foerster, já era casado e pai de família ao concluir o seu curso de direito em 1951 e logo em seguida o de filosofia.
O casal Foerster, sempre foi exemplar e abnegados pais de família, seres humanos dotados do mais profundo respeito aos seus semelhantes.
José, Yvone e 6 dos 8 filhos que tiveram
Em 1952, em comum acordo com o irmão Paulo, fazem a partilha dos bens adquiridos juntos e os doados pela sua mãe Olindina. Coube a José a Fazenda Canaã e a Paulo a fazenda Maniçoba.
Entre os documentos encontrados após a morte de Paulo, existia uma carta de José, datada de 28 de junho de 1952, em que propõe a consolidação das permutas, o qual transcrevemos em parte:
“Avaliamos Canaã em 400 contos; calculamos a nossa parte em 80 contos, logo 40 meus e 40 seus. Fica a outra parte, que equivale a 2/3, por 320 contos por causa das benfeitorias.Ora 160 contos de minha parte e 40 da outra, dão justamente 200 contos e pago-lhe da seguinte forma:
a) Entrego-lhe Maniçoba por 70 contos, o que não está caro, pois ela está por uns 50 contos, fora as escrituras e benfeitorias;
b) Entrego-lhe 20 vacas e 1 touro, conforme ajustamos, por 45 contos, o que lhe é mais vantajoso do que 50 contos à vista, pois com eles você não compraria uma vacaria escolhida, boa, grande e novas como são as minhas;
c) Os 85 contos restantes, pago-lhe em cinco anos da seguinte forma: 40 contos 3 anos após o fechamento do negócio e os outros 45, dois anos após a 1ª prestação“.
A partir de 1956 José Foerster é nomeado, mediante concurso público, para juiz de direito da comarca de Alagoinha e passa a residir em Pesqueira em 1957 e novamente por solicitação da diretoria do Ginásio Cristo Rei e Colégio Santa Dorotéia passa a ensinar naqueles estabelecimentos.
Naquele período vários filhos de Sanharó tiveram a oportunidade de estudar com o Professor Foerster, assim era chamado. Foram Alderico Cabral Viana, Heriberto Américo de Freitas, Gilvan Nazário, Paulo José Foerster, Laurentino Caraciolo, Telmízio Cunha, Aristóteles Soares, José Adauto Alves Valença, Odete Souza Leão, Auxiliadora Foerster (Cyci), Ximena Souza Leão entre outros. Todos os seus alunos eram unânimes em reconhecer a sua capacidade intelectual e facilidade de transmitir os seus ensinamentos, principalmente nas cadeiras de português, latim, história e geografia.
Em 1959, é removido para a comarca de Poção onde permanece até 1964. Neste período é nomeado professor da Faculdade de Filosofia da UR, atual UFPE, em Recife e deixa de lecionar nos colégios de Pesqueira.
Em 1964, é promovido para Jurema e logo em seguida assume a comarca de Gravatá e daí para Igarassu, Olinda e finalmente Recife, vindo a se aposentar como juiz da capital em 1982.
Após a sua aposentadoria continuou no magistério, lecionando nas faculdades de direito de Olinda e da Universidade Católica.
Apesar dessa intensa e bem sucedida atividade profissional, José Foerster sentia-se como peixe fora d’água. O seu lugar predileto e a sua paixão eram a fazenda Canaã e Sanharó.
José vivia intensamente o clima de Canaã. Até os nomes das atrizes dos filmes que ele assistia no Recife serviam de inspiração para colocar nome em suas vacas.
As férias dos meses de janeiro e julho tinham endereço certo: fazenda Canaã. Sentia-se realizado ao andar de cavalo pela fazenda, acompanhar a tirada do leite da vacaria. Eram os meses de “colocar conversa fora” com seu casal de vaqueiro Antônio Miguel e Ganga, além dos seus filhos, Domingo, Manoel, Sebastiana e Lídia.
Já fazia parte do calendário das férias o dia 17 julho, aniversário de Yvone. Os familiares e os amigos mais íntimos de Sanharó, Pesqueira, Recife e as famílias dos empregados já tinham como certo o farto almoço acompanhado de bebidas e sobremesas.
Em um desses aniversários comemorativos, 1960, que foi inaugurada com a bênção de Monsenhor Sales, amigo da família Foerster, a capelinha de Canaã, seguida de missa e posterior batizado da sua filha, Maria da Soledade.
Inauguração da Capela da Fazenda Canaã, em 1960
Após a morte de Yvone em 1973, todos os seus familiares e amigos foram unânimes em reconhecer, que com a perda de Yvone foi-se também a alegria, a espontaneidade, talvez uma parte do José e Canaã perdeu em parte a motivação efetiva.
Em 1975, casa-se pela segunda vez com Waldete Sobreira não deixando descendentes.
Em razão de suas atividades profissionais, como magistrado e principalmente como professor, José Foerster gerou em torno de si um vasto campo de amizade e o transferiu para os seus familiares e que perdura até os dias atuais.
O destino em reconhecimento, ao seu desejo maior, “ser uma grande fazendeiro”, vontade que se sobrepunha à magistratura e ao magistério, lhe reservou o direito de viver os seus últimos momentos na Canaã, onde nasceu e tanto sonhou.
O povo de Sanharó, em um gesto magnânimo de reconhecimento, prestou ao seu filho querido, uma simples e singela homenagem na despedida, fazendo com seu corpo, antes de ser transladado para o Recife, onde seria sepultado, percorresse as ruas do centro da cidade em sinal de despedida.
José Foerster, faleceu em Canaã em 29 de janeiro de 1983 e em reconhecimento ao seu passado o poder judiciário pernambucano associado ao anseios da comunidade sanharoense lhe prestaram uma justa e merecida homenagem, perpetuando o seu nome, denominando fórum local de José Foerster.
Após a morte de José, a Fazenda Canaã entrou em plena decadência e a sua sede esteve na iminência de se transformar em ruínas, porém Joaquim Manoel Foerster (Tico), coincidentemente bisneto e com o mesmo nome do fundador da fazenda “Pé de Serra”, sensibilizado com o estado deplorável das instalações, “arregaçou as mangas” e com o apoio inconteste de sua esposa, Domênica, fizeram com que Canaã ressurgisse das cinzas.
Fazenda Canaã em aquarela da época…
Fazenda Canaã após a restauração feita pelo casal Tico/Domênica
Registrei com muito orgulho, não somente as minhas origens sanharoenses, mas o ressurgimento de Canaã no discurso, por ocasião da minha posse na presidência Academia Pernambucana de Medicina Veterinária. Fiz essa homenagem em forma poética à encantadora Canaã, onde o mundo surgiu, pela primeira vez, diante dos meus olhos e ouvi a primeira música, o aboio do vaqueiro Pereira, ao tanger o gado, ainda em plena madrugada. Hoje completamente rejuvenescida, Canaã me faz recordar os tempos áureos de criança.
A poesia “Canaã de Ontem e de Hoje”, parte Integrante das primeiras páginas desta publicação, está plenamente constituída de simbologia, onde Tico e Domênica significam para Canaã, o mesmo símbolo que o umbuzeiro, cedro, jucá, o rouxinol e lavandeira. Representam o encanto e a beleza persistente da nossa flora e fauna.
Os 8 filhos de José Foerster
N.5.2 José Foerster C.c. Yvone de Oliveira Cavalcanti;
Bn.5.2.1 Márcia Maria Foerster C.c. Ricardo Ramos de
Arruda;
Tn.5.2.1.1 Cecília Foerster Arruda C.c.Paulo
Carvalho Moura;
Tn.5.2.1.2. Letícia Foerster Arruda;
Bn.5.2.2.Yvone Eneida Foerster ex- C.c. Alberto Mário
Mendes Silva;
Tn.5.2.2.1. Renata Yvone Foerster Silva C.c. Yuri
Taguti;
Qn.5.2.2.1 Beatriz Foerster Taguti;
Qn.5.2.2.2 Yain Foerster Taguti;
Qn.5.2.2.2 Carlos Frederico Foerster Silva;
Tn.5.2.2.3. Gustavo Augusto Foerster Silva;
Bn.5.2.3 Jose Foerster Junior ex- C.c. Dominique
Anne Marie Jacob;
Tn.5.2.3.1 Yvonne Gabriele Jacob Foerster;
Tn.5.2.3.2 Priscila Jacob Foerster;
Bn.5.2.4 Paulo Marcelo Foerster C.c. Maria das
Graças Florêncio Villas;
Tn.5.2.4.1 Marcela Villas Foerster C.c. Sílvio
Moura
Tn.5.2.4.2 Mirella Villas Foerster
Bn.5.2.5 Joaquim Manoel Foerster (Tico) C.c.
Dômenica Didier Leite;
Tn.5.2.5.1 Heloísa Natália Didier Foerster;
Tn.5.2.5.2 Paulo José Didier Foerster;
Bn.5.2.6 Maria da Soledade Foerster (Dinha) ex- C.c.
Nelson Nejain;
Tn.5.2.6.1 Nelson Foerster Nejain. Maria da
Soledade Foerster, em segundo matrimônio,
C.c. Francisco Carlos Belo da Silva;
Tn.5.2.6.2 Paulo Henrique Foerster Belo;
Bn.5.2.7 Marília Wetti Foerster (Lila) C.c. Paulo
Henrique Alvim Furtado;
Tn.1.5.2.7.1 Daniel Foerster Furtado;
Bn.5.2.8 Erwin Max Joseph Foerster (Leo)
Algo peculiar vem acompanhando a família Foerster no decorrer de quase um século de existência: a repetição do nome Paulo e Paula entre as diferentes gerações, além dos casamentos das descendentes com outros Paulos, como veremos a seguir:
Paul Joseph Foerster (Paulo José Foerster)
Paulo Foertster ( filho)
Paulo José Elias Foerster (neto)
Paulo Ricardo Maranhão Foerster (bisneto)
Paulo Marcelo Foerster (neto)
Paulo Foerster Luna – faleceu ao nascer (bisneto)
Paula Frascinete Foerster Luna, faleceu aos 11 anos (bisneta)
Paulo Robério Foerster Luna (bisneto)
Paulo José Didier Foerster (bisneto)
Paulo Henrique Foerster Belo (bisneto)
Maria Paula Silva Foerster (bisneta)
Paulo Henrique Alvim Furtado C.c. Marília Wetti Foerster (neta)
Paulo Carvalho Moura C.c Cecília Foerster Arruda (bisneta)
F.6 Firmina Pinto Bezerra
A caçula da família tornou-se freira da Congregação das Damas Cristã, no Recife, onde se passou a chamar: Irmã Germana.
Resumo dos descendentes de
Joaquim Pinto Bezerra e
Maria Águeda Pinto Bezerra
Filhos N Bn Tn Qn Pn Tot
H M H M H M H M H
Manoel 02 05 06 01 13 10 09 10 – 57
Antonia – – – – – – – – – 01
Maria – – – – – – – – – 01
Elisa – 01 01 02 03 04 – – – 12
Olindina 02 – 09 07 19 23 13 18 1 93
Firmina – – – – – – – – – 01
H + 5M 04 06 16 10 35 37 22 28 1 165
Totalização da família de Joaquim
e Águeda Pinto Bezerra
Filhos (F) 06
Netos (N) 10
Bisnetos (Bn) 26
Trinetos (Tn) 72
Tetranetos (Qn) 50
Pentanetos (Pn) 01
Total 165
Observação: Os possíveis erros ocorridos, na citação de centenas de nomes, devem-se provavelmente, falhas nas anotações, razão pela qual peço as minhas desculpas. (Autor)

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PASSEIO SOCRÁTICO

Eu achei interessante este texto pela simplicidade e pela atualidade.

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos dependurados em telefones celulares; mostravam-se preocupados, ansiosos e, na lanchonete, comiam mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, muitos demonstravam um apetite voraz. Aquilo me fez refletir: Qual dos dois modelos produz felicidade? O dos monges ou o dos executivos?
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?” Ela respondeu: “Não; minha aula é à tarde”. Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir um pouco mais”. “Não”, ela retrucou, “tenho tanta coisa de manhã...” “Que tanta coisa?”, indaguei. “Aulas de inglês, balé, pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’”
A sociedade na qual vivemos constrói super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas muitos são emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram que, agora, mais importante que o QI (Quociente Intelectual), é a IE (Inteligência Emocional). Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma próspera cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como estava o defunto?”. “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!” Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi¬nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilidade coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,¬ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!” O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba¬ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su-gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globocolonizador, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer de uma cadeia transnacional de sanduíches saturados de gordura…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático.” Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates, filósofo grego, que morreu no ano 399 antes de Cristo, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O QUE A VIDA ME ENSINA

Se eu nada perdi
Como que vou encontrar?
Foi o que li do livro
Que o autor quis me endoidar
Vamos continuar lendo
Que ainda vou achar

Se uma guerra não é conflito
Ele diz que é um confronto
Conflito de uma família
Ao se deparar num encontro
O primeiro que chorar
Acabou a guerra e pronto

O livro fala que auditoria
É a caça ao culpado
De você julgar seu filho
Sem ao menos tê-lo escutado
Não conheço quem não apanhou
Que hoje não é um “caba” educado

Fala-se também da mudança de vida
Da nossa saudade ou nostalgia
Que em alguns anos atrás
Era parecido com melancolia
Hoje o povo chama de depressão
Tristeza profunda do dia a dia

A gente pode criar uma ponte
Ou talvez crie uma barreira
Você sempre procura agradar
O que aprendeu à sua maneira
Distinguir deficiente ou cego
Para o amigo é uma asneira

Concordar vem de “coração”
Discordar de “separação”
Acolher a discordância
É apenas uma posição
Cada um no seu quadrado
Respeitando a opinião

Cristo nunca foi apaixonado
Mas, sofreu na sua paixão
No transtorno que ele viveu
Num estado de ebulição
Que pode se transformar em amor
Se causar grande explosão

O que é amor à primeira vista?
Vamos à sua explicação:
um parecer um pouco ilógico,
sem nenhuma construção;
amor é produto da convivência”.
O resto é simples e pura paixão.

Erotizar nossa conduta
Comparando a sustentabilidade
Da vida nas múltiplas faces
Em um mundo sem banalidade
Protegendo a mãe natureza
Numa atitude de verdade

Eu posso até possuir algo
Mas jamais ser possuído
Por aquilo que me consome
Aí se perderia o sentido
Só cuidamos do que é nosso
O outro depois eu decido.

Se ser é ser percebido
E não percebido, não existe
Ou você descobre o outro
Ou logo, logo, desiste
Não vivamos no ostracismo
Da vida bela e não triste

Eu vivo em busca da excelência
Eu quando faço, eu supero
Li completo o dicionário
Entrei também para o clero
Quero salvar a humanidade
Tou sendo muito sincero

O medo que nos assusta
Mas sempre o que não se vê
A burguesia treme de medo
Pois tem muito o que perder
Com a classe proletária
É a cada dia o renascer.

Autoconhecimento não é evolução                     
Isto é mudança pra melhor
Darwin falava em transformação
Algumas inclusive para pior
O homem se achando dominador
Onde muitos acabam é só.

O que verdadeiro nós somos?
Numa sociedade animal
Máquinas de fazer sexo?
Para o homem tão natural
Mulher discutindo a relação
Leiam pra ver o final

Quando eu me sinto vivo
Me impregno de sonhar
De uma fagulha que se acende
Do sol que está sempre a brilhar
Se o paraíso era entedioso
Para que se imortalizar
  
Se o desejo só existe
Enquanto não é saciado
Quando você já realizou
Já se deixa ele de lado
O horizonte não existe pra chegar
Mas para o que foi caminhado

E assim eu li o livro:
E se eu não existisse
Que falta mesmo faria?
No cotidiano da vida
A questão que contagia
Encontrar razões para viver
Com muito amor e alegria



                                                           ASSIMEURESUMIOQUELIESEEUFOSSEVOCENEMLIAMAISDEGILMAREM230816

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Após a leitura do livro "Vida Organizada", escrevi uns versos para reflexão

Para se ter uma vida organizada
Primeiro precisa gostar de ler
Sozinho não vai conseguir
Vais ter muito que aprender
Eu te digo e não vou errar
É só pagar a conta pra ver

Há muito se acabou o tempo
Nem tem tempo de trabalhar
Se você mudar sua rotina
Pode até se atrapalhar
Mas, pra criar planos e metas
Vai ter de se organizar

Quando citei “gostar de ler”
É a maneira mais tradicional
Ou então pesquise o autor
Fazendo um resumo legal
Seguindo esta orientação
Não será de todo o mal.

O autor cita que organização
É para ele um aprendizado
Não é ter ambiente perfeito
E cuidadosamente arrumado
Só pequenos gestos dia a dia
Pra construir o resultado

Nós vivemos procurando coisas
Além de viver muito estressado
Sempre comprando de novo
Porque não tinha encontrado
Esta é apenas uma rotina
Para ser mais organizado

Aproveitar espaço da casa
Só comprar o necessário
Sabemos que é sacrifício
Que é um trabalhão diário
Se orgulhe dessa conquista
Seja também solidário

Para que as coisas aconteçam
Depende do nosso querer
Talvez seja mudança radical
Nesse novo modo de viver
Foi um grande aprendizado
Que eu sugiro pra você