segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PASSEIO SOCRÁTICO

Eu achei interessante este texto pela simplicidade e pela atualidade.

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos dependurados em telefones celulares; mostravam-se preocupados, ansiosos e, na lanchonete, comiam mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, muitos demonstravam um apetite voraz. Aquilo me fez refletir: Qual dos dois modelos produz felicidade? O dos monges ou o dos executivos?
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?” Ela respondeu: “Não; minha aula é à tarde”. Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir um pouco mais”. “Não”, ela retrucou, “tenho tanta coisa de manhã...” “Que tanta coisa?”, indaguei. “Aulas de inglês, balé, pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’”
A sociedade na qual vivemos constrói super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas muitos são emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram que, agora, mais importante que o QI (Quociente Intelectual), é a IE (Inteligência Emocional). Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma próspera cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como estava o defunto?”. “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!” Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi¬nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilidade coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,¬ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!” O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba¬ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su-gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globocolonizador, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer de uma cadeia transnacional de sanduíches saturados de gordura…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático.” Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates, filósofo grego, que morreu no ano 399 antes de Cristo, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O QUE A VIDA ME ENSINA

Se eu nada perdi
Como que vou encontrar?
Foi o que li do livro
Que o autor quis me endoidar
Vamos continuar lendo
Que ainda vou achar

Se uma guerra não é conflito
Ele diz que é um confronto
Conflito de uma família
Ao se deparar num encontro
O primeiro que chorar
Acabou a guerra e pronto

O livro fala que auditoria
É a caça ao culpado
De você julgar seu filho
Sem ao menos tê-lo escutado
Não conheço quem não apanhou
Que hoje não é um “caba” educado

Fala-se também da mudança de vida
Da nossa saudade ou nostalgia
Que em alguns anos atrás
Era parecido com melancolia
Hoje o povo chama de depressão
Tristeza profunda do dia a dia

A gente pode criar uma ponte
Ou talvez crie uma barreira
Você sempre procura agradar
O que aprendeu à sua maneira
Distinguir deficiente ou cego
Para o amigo é uma asneira

Concordar vem de “coração”
Discordar de “separação”
Acolher a discordância
É apenas uma posição
Cada um no seu quadrado
Respeitando a opinião

Cristo nunca foi apaixonado
Mas, sofreu na sua paixão
No transtorno que ele viveu
Num estado de ebulição
Que pode se transformar em amor
Se causar grande explosão

O que é amor à primeira vista?
Vamos à sua explicação:
um parecer um pouco ilógico,
sem nenhuma construção;
amor é produto da convivência”.
O resto é simples e pura paixão.

Erotizar nossa conduta
Comparando a sustentabilidade
Da vida nas múltiplas faces
Em um mundo sem banalidade
Protegendo a mãe natureza
Numa atitude de verdade

Eu posso até possuir algo
Mas jamais ser possuído
Por aquilo que me consome
Aí se perderia o sentido
Só cuidamos do que é nosso
O outro depois eu decido.

Se ser é ser percebido
E não percebido, não existe
Ou você descobre o outro
Ou logo, logo, desiste
Não vivamos no ostracismo
Da vida bela e não triste

Eu vivo em busca da excelência
Eu quando faço, eu supero
Li completo o dicionário
Entrei também para o clero
Quero salvar a humanidade
Tou sendo muito sincero

O medo que nos assusta
Mas sempre o que não se vê
A burguesia treme de medo
Pois tem muito o que perder
Com a classe proletária
É a cada dia o renascer.

Autoconhecimento não é evolução                     
Isto é mudança pra melhor
Darwin falava em transformação
Algumas inclusive para pior
O homem se achando dominador
Onde muitos acabam é só.

O que verdadeiro nós somos?
Numa sociedade animal
Máquinas de fazer sexo?
Para o homem tão natural
Mulher discutindo a relação
Leiam pra ver o final

Quando eu me sinto vivo
Me impregno de sonhar
De uma fagulha que se acende
Do sol que está sempre a brilhar
Se o paraíso era entedioso
Para que se imortalizar
  
Se o desejo só existe
Enquanto não é saciado
Quando você já realizou
Já se deixa ele de lado
O horizonte não existe pra chegar
Mas para o que foi caminhado

E assim eu li o livro:
E se eu não existisse
Que falta mesmo faria?
No cotidiano da vida
A questão que contagia
Encontrar razões para viver
Com muito amor e alegria



                                                           ASSIMEURESUMIOQUELIESEEUFOSSEVOCENEMLIAMAISDEGILMAREM230816

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Após a leitura do livro "Vida Organizada", escrevi uns versos para reflexão

Para se ter uma vida organizada
Primeiro precisa gostar de ler
Sozinho não vai conseguir
Vais ter muito que aprender
Eu te digo e não vou errar
É só pagar a conta pra ver

Há muito se acabou o tempo
Nem tem tempo de trabalhar
Se você mudar sua rotina
Pode até se atrapalhar
Mas, pra criar planos e metas
Vai ter de se organizar

Quando citei “gostar de ler”
É a maneira mais tradicional
Ou então pesquise o autor
Fazendo um resumo legal
Seguindo esta orientação
Não será de todo o mal.

O autor cita que organização
É para ele um aprendizado
Não é ter ambiente perfeito
E cuidadosamente arrumado
Só pequenos gestos dia a dia
Pra construir o resultado

Nós vivemos procurando coisas
Além de viver muito estressado
Sempre comprando de novo
Porque não tinha encontrado
Esta é apenas uma rotina
Para ser mais organizado

Aproveitar espaço da casa
Só comprar o necessário
Sabemos que é sacrifício
Que é um trabalhão diário
Se orgulhe dessa conquista
Seja também solidário

Para que as coisas aconteçam
Depende do nosso querer
Talvez seja mudança radical
Nesse novo modo de viver
Foi um grande aprendizado
Que eu sugiro pra você