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A exemplo de Paulo, José nasceu na atual Fazenda Canaã, em 27 de fevereiro de 1921. Foi batizado na igreja da Nossa Senhora da Piedade, Rua do Lima, Recife, em 03 de abril de 1921, sendo seus padrinhos, o casal Guilherme Cristovão e Angelina Martins Auler. Estudou todo primário na Escola Pública Estadual Mista de Sanharó, no período de 1929 a 1933, com a professora Philadelfia Bezerra de Mello.
Como o sonho de sua mãe Olindina, ou mesmo uma obstinação era ter um filho padre, fato que o influenciou intensamente, José, ainda criança, foi levado ao Seminário de Olinda, onde realizou os seus estudos e quando faltavam apenas dois anos para a sua ordenação, tomou a decisão, provavelmente mais difícil até então vivenciada: não seguir o sacerdócio, porém permaneceu católico fervoroso e por demais ligado à comunidade eclesiástica.
Os anos vividos em Olinda fizeram com que José tivesse uma admiração impar para com aquela cidade e especialmente com o seu seminário. Perdeu a igreja um sacerdote, mas ganhou o magistério e a magistratura um excelente profissional de conduta ilibada.
Ao deixar o seminário, fixou-se inicialmente em Pesqueira lecionando no Ginásio Cristo Rei, onde desfrutou da amizade e respeito não só da comunidade pesqueirense, mas do alunado e dos próprios padres e bispo da Diocese.
Vislumbrando uma carreira jurídica, deixa Pesqueira e parte para Recife em busca do curso de direito. Ao se submeter aos exames para o vestibular, faz a prova oral de latim, falando fluentemente a língua latina, o que lhe valeu uma das primeiras colocações no vestibular.
Residindo em república de estudante e para se manter, passa a ensinar nos mais conceituados colégios da capital pernambucana, como colégio Nóbrega, Salesiano, Padre Félix, Americano Batista, Ginásio Pernambucano, Pinto Júnior, etc.
Casal José eYvone Foerster
Foi como professor que conheceu a aluna Yvone Oliveira Cavalcante, por quem se apaixonou e contraiu núpcias em 1949 passando a residir na Rua Manoel de Carvalho, Espinheiro em Recife.
Certa vez tia Yvone, que além sobrinho me considerava o filho mais velho, confidenciou-me que seus olhos ao se depararem diante daquele professor de terno branco, elegante, educado, inteligente, atencioso e cheiroso sentiu-se apaixonada, foi amor de primeira vista por “Zeca”.
Para os sobrinhos, José e Yvone eram mais que tios e professores eram amigos, confidentes, os seus segundos pais. Suas presenças em Canaã nos períodos de férias eram ansiosamente aguardadas, pois eram sinônimos de alegria e diversão.
José Foerster, já era casado e pai de família ao concluir o seu curso de direito em 1951 e logo em seguida o de filosofia.
O casal Foerster, sempre foi exemplar e abnegados pais de família, seres humanos dotados do mais profundo respeito aos seus semelhantes.
José, Yvone e 6 dos 8 filhos que tiveram
Em 1952, em comum acordo com o irmão Paulo, fazem a partilha dos bens adquiridos juntos e os doados pela sua mãe Olindina. Coube a José a Fazenda Canaã e a Paulo a fazenda Maniçoba.
Entre os documentos encontrados após a morte de Paulo, existia uma carta de José, datada de 28 de junho de 1952, em que propõe a consolidação das permutas, o qual transcrevemos em parte:
“Avaliamos Canaã em 400 contos; calculamos a nossa parte em 80 contos, logo 40 meus e 40 seus. Fica a outra parte, que equivale a 2/3, por 320 contos por causa das benfeitorias.Ora 160 contos de minha parte e 40 da outra, dão justamente 200 contos e pago-lhe da seguinte forma:
a) Entrego-lhe Maniçoba por 70 contos, o que não está caro, pois ela está por uns 50 contos, fora as escrituras e benfeitorias;
b) Entrego-lhe 20 vacas e 1 touro, conforme ajustamos, por 45 contos, o que lhe é mais vantajoso do que 50 contos à vista, pois com eles você não compraria uma vacaria escolhida, boa, grande e novas como são as minhas;
c) Os 85 contos restantes, pago-lhe em cinco anos da seguinte forma: 40 contos 3 anos após o fechamento do negócio e os outros 45, dois anos após a 1ª prestação“.
a) Entrego-lhe Maniçoba por 70 contos, o que não está caro, pois ela está por uns 50 contos, fora as escrituras e benfeitorias;
b) Entrego-lhe 20 vacas e 1 touro, conforme ajustamos, por 45 contos, o que lhe é mais vantajoso do que 50 contos à vista, pois com eles você não compraria uma vacaria escolhida, boa, grande e novas como são as minhas;
c) Os 85 contos restantes, pago-lhe em cinco anos da seguinte forma: 40 contos 3 anos após o fechamento do negócio e os outros 45, dois anos após a 1ª prestação“.
A partir de 1956 José Foerster é nomeado, mediante concurso público, para juiz de direito da comarca de Alagoinha e passa a residir em Pesqueira em 1957 e novamente por solicitação da diretoria do Ginásio Cristo Rei e Colégio Santa Dorotéia passa a ensinar naqueles estabelecimentos.
Naquele período vários filhos de Sanharó tiveram a oportunidade de estudar com o Professor Foerster, assim era chamado. Foram Alderico Cabral Viana, Heriberto Américo de Freitas, Gilvan Nazário, Paulo José Foerster, Laurentino Caraciolo, Telmízio Cunha, Aristóteles Soares, José Adauto Alves Valença, Odete Souza Leão, Auxiliadora Foerster (Cyci), Ximena Souza Leão entre outros. Todos os seus alunos eram unânimes em reconhecer a sua capacidade intelectual e facilidade de transmitir os seus ensinamentos, principalmente nas cadeiras de português, latim, história e geografia.
Em 1959, é removido para a comarca de Poção onde permanece até 1964. Neste período é nomeado professor da Faculdade de Filosofia da UR, atual UFPE, em Recife e deixa de lecionar nos colégios de Pesqueira.
Em 1964, é promovido para Jurema e logo em seguida assume a comarca de Gravatá e daí para Igarassu, Olinda e finalmente Recife, vindo a se aposentar como juiz da capital em 1982.
Após a sua aposentadoria continuou no magistério, lecionando nas faculdades de direito de Olinda e da Universidade Católica.
Apesar dessa intensa e bem sucedida atividade profissional, José Foerster sentia-se como peixe fora d’água. O seu lugar predileto e a sua paixão eram a fazenda Canaã e Sanharó.
José vivia intensamente o clima de Canaã. Até os nomes das atrizes dos filmes que ele assistia no Recife serviam de inspiração para colocar nome em suas vacas.
As férias dos meses de janeiro e julho tinham endereço certo: fazenda Canaã. Sentia-se realizado ao andar de cavalo pela fazenda, acompanhar a tirada do leite da vacaria. Eram os meses de “colocar conversa fora” com seu casal de vaqueiro Antônio Miguel e Ganga, além dos seus filhos, Domingo, Manoel, Sebastiana e Lídia.
Já fazia parte do calendário das férias o dia 17 julho, aniversário de Yvone. Os familiares e os amigos mais íntimos de Sanharó, Pesqueira, Recife e as famílias dos empregados já tinham como certo o farto almoço acompanhado de bebidas e sobremesas.
Em um desses aniversários comemorativos, 1960, que foi inaugurada com a bênção de Monsenhor Sales, amigo da família Foerster, a capelinha de Canaã, seguida de missa e posterior batizado da sua filha, Maria da Soledade.
Inauguração da Capela da Fazenda Canaã, em 1960
Após a morte de Yvone em 1973, todos os seus familiares e amigos foram unânimes em reconhecer, que com a perda de Yvone foi-se também a alegria, a espontaneidade, talvez uma parte do José e Canaã perdeu em parte a motivação efetiva.
Em 1975, casa-se pela segunda vez com Waldete Sobreira não deixando descendentes.
Em razão de suas atividades profissionais, como magistrado e principalmente como professor, José Foerster gerou em torno de si um vasto campo de amizade e o transferiu para os seus familiares e que perdura até os dias atuais.
O destino em reconhecimento, ao seu desejo maior, “ser uma grande fazendeiro”, vontade que se sobrepunha à magistratura e ao magistério, lhe reservou o direito de viver os seus últimos momentos na Canaã, onde nasceu e tanto sonhou.
O povo de Sanharó, em um gesto magnânimo de reconhecimento, prestou ao seu filho querido, uma simples e singela homenagem na despedida, fazendo com seu corpo, antes de ser transladado para o Recife, onde seria sepultado, percorresse as ruas do centro da cidade em sinal de despedida.
José Foerster, faleceu em Canaã em 29 de janeiro de 1983 e em reconhecimento ao seu passado o poder judiciário pernambucano associado ao anseios da comunidade sanharoense lhe prestaram uma justa e merecida homenagem, perpetuando o seu nome, denominando fórum local de José Foerster.
Após a morte de José, a Fazenda Canaã entrou em plena decadência e a sua sede esteve na iminência de se transformar em ruínas, porém Joaquim Manoel Foerster (Tico), coincidentemente bisneto e com o mesmo nome do fundador da fazenda “Pé de Serra”, sensibilizado com o estado deplorável das instalações, “arregaçou as mangas” e com o apoio inconteste de sua esposa, Domênica, fizeram com que Canaã ressurgisse das cinzas.
Fazenda Canaã em aquarela da época…
Fazenda Canaã após a restauração feita pelo casal Tico/Domênica
Registrei com muito orgulho, não somente as minhas origens sanharoenses, mas o ressurgimento de Canaã no discurso, por ocasião da minha posse na presidência Academia Pernambucana de Medicina Veterinária. Fiz essa homenagem em forma poética à encantadora Canaã, onde o mundo surgiu, pela primeira vez, diante dos meus olhos e ouvi a primeira música, o aboio do vaqueiro Pereira, ao tanger o gado, ainda em plena madrugada. Hoje completamente rejuvenescida, Canaã me faz recordar os tempos áureos de criança.
A poesia “Canaã de Ontem e de Hoje”, parte Integrante das primeiras páginas desta publicação, está plenamente constituída de simbologia, onde Tico e Domênica significam para Canaã, o mesmo símbolo que o umbuzeiro, cedro, jucá, o rouxinol e lavandeira. Representam o encanto e a beleza persistente da nossa flora e fauna.
Os 8 filhos de José Foerster
N.5.2 José Foerster C.c. Yvone de Oliveira Cavalcanti;
Bn.5.2.1 Márcia Maria Foerster C.c. Ricardo Ramos de
Arruda;
Tn.5.2.1.1 Cecília Foerster Arruda C.c.Paulo
Carvalho Moura;
Tn.5.2.1.2. Letícia Foerster Arruda;
Bn.5.2.2.Yvone Eneida Foerster ex- C.c. Alberto Mário
Mendes Silva;
Tn.5.2.2.1. Renata Yvone Foerster Silva C.c. Yuri
Taguti;
Qn.5.2.2.1 Beatriz Foerster Taguti;
Qn.5.2.2.2 Yain Foerster Taguti;
Qn.5.2.2.2 Carlos Frederico Foerster Silva;
Tn.5.2.2.3. Gustavo Augusto Foerster Silva;
Bn.5.2.3 Jose Foerster Junior ex- C.c. Dominique
Anne Marie Jacob;
Tn.5.2.3.1 Yvonne Gabriele Jacob Foerster;
Tn.5.2.3.2 Priscila Jacob Foerster;
Bn.5.2.4 Paulo Marcelo Foerster C.c. Maria das
Graças Florêncio Villas;
Tn.5.2.4.1 Marcela Villas Foerster C.c. Sílvio
Moura
Tn.5.2.4.2 Mirella Villas Foerster
Bn.5.2.5 Joaquim Manoel Foerster (Tico) C.c.
Dômenica Didier Leite;
Tn.5.2.5.1 Heloísa Natália Didier Foerster;
Tn.5.2.5.2 Paulo José Didier Foerster;
Bn.5.2.6 Maria da Soledade Foerster (Dinha) ex- C.c.
Nelson Nejain;
Tn.5.2.6.1 Nelson Foerster Nejain. Maria da
Soledade Foerster, em segundo matrimônio,
C.c. Francisco Carlos Belo da Silva;
Tn.5.2.6.2 Paulo Henrique Foerster Belo;
Bn.5.2.7 Marília Wetti Foerster (Lila) C.c. Paulo
Henrique Alvim Furtado;
Tn.1.5.2.7.1 Daniel Foerster Furtado;
Bn.5.2.8 Erwin Max Joseph Foerster (Leo)
Bn.5.2.1 Márcia Maria Foerster C.c. Ricardo Ramos de
Arruda;
Tn.5.2.1.1 Cecília Foerster Arruda C.c.Paulo
Carvalho Moura;
Tn.5.2.1.2. Letícia Foerster Arruda;
Bn.5.2.2.Yvone Eneida Foerster ex- C.c. Alberto Mário
Mendes Silva;
Tn.5.2.2.1. Renata Yvone Foerster Silva C.c. Yuri
Taguti;
Qn.5.2.2.1 Beatriz Foerster Taguti;
Qn.5.2.2.2 Yain Foerster Taguti;
Qn.5.2.2.2 Carlos Frederico Foerster Silva;
Tn.5.2.2.3. Gustavo Augusto Foerster Silva;
Bn.5.2.3 Jose Foerster Junior ex- C.c. Dominique
Anne Marie Jacob;
Tn.5.2.3.1 Yvonne Gabriele Jacob Foerster;
Tn.5.2.3.2 Priscila Jacob Foerster;
Bn.5.2.4 Paulo Marcelo Foerster C.c. Maria das
Graças Florêncio Villas;
Tn.5.2.4.1 Marcela Villas Foerster C.c. Sílvio
Moura
Tn.5.2.4.2 Mirella Villas Foerster
Bn.5.2.5 Joaquim Manoel Foerster (Tico) C.c.
Dômenica Didier Leite;
Tn.5.2.5.1 Heloísa Natália Didier Foerster;
Tn.5.2.5.2 Paulo José Didier Foerster;
Bn.5.2.6 Maria da Soledade Foerster (Dinha) ex- C.c.
Nelson Nejain;
Tn.5.2.6.1 Nelson Foerster Nejain. Maria da
Soledade Foerster, em segundo matrimônio,
C.c. Francisco Carlos Belo da Silva;
Tn.5.2.6.2 Paulo Henrique Foerster Belo;
Bn.5.2.7 Marília Wetti Foerster (Lila) C.c. Paulo
Henrique Alvim Furtado;
Tn.1.5.2.7.1 Daniel Foerster Furtado;
Bn.5.2.8 Erwin Max Joseph Foerster (Leo)
Algo peculiar vem acompanhando a família Foerster no decorrer de quase um século de existência: a repetição do nome Paulo e Paula entre as diferentes gerações, além dos casamentos das descendentes com outros Paulos, como veremos a seguir:
Paul Joseph Foerster (Paulo José Foerster)
Paulo Foertster ( filho)
Paulo José Elias Foerster (neto)
Paulo Ricardo Maranhão Foerster (bisneto)
Paulo Marcelo Foerster (neto)
Paulo Foerster Luna – faleceu ao nascer (bisneto)
Paula Frascinete Foerster Luna, faleceu aos 11 anos (bisneta)
Paulo Robério Foerster Luna (bisneto)
Paulo José Didier Foerster (bisneto)
Paulo Henrique Foerster Belo (bisneto)
Maria Paula Silva Foerster (bisneta)
Paulo Henrique Alvim Furtado C.c. Marília Wetti Foerster (neta)
Paulo Carvalho Moura C.c Cecília Foerster Arruda (bisneta)
Paulo Foertster ( filho)
Paulo José Elias Foerster (neto)
Paulo Ricardo Maranhão Foerster (bisneto)
Paulo Marcelo Foerster (neto)
Paulo Foerster Luna – faleceu ao nascer (bisneto)
Paula Frascinete Foerster Luna, faleceu aos 11 anos (bisneta)
Paulo Robério Foerster Luna (bisneto)
Paulo José Didier Foerster (bisneto)
Paulo Henrique Foerster Belo (bisneto)
Maria Paula Silva Foerster (bisneta)
Paulo Henrique Alvim Furtado C.c. Marília Wetti Foerster (neta)
Paulo Carvalho Moura C.c Cecília Foerster Arruda (bisneta)
F.6 Firmina Pinto Bezerra
A caçula da família tornou-se freira da Congregação das Damas Cristã, no Recife, onde se passou a chamar: Irmã Germana.
Resumo dos descendentes de
Joaquim Pinto Bezerra e
Maria Águeda Pinto Bezerra
Filhos N Bn Tn Qn Pn Tot
H M H M H M H M H
Manoel 02 05 06 01 13 10 09 10 – 57
Antonia – – – – – – – – – 01
Maria – – – – – – – – – 01
Elisa – 01 01 02 03 04 – – – 12
Olindina 02 – 09 07 19 23 13 18 1 93
Firmina – – – – – – – – – 01
H + 5M 04 06 16 10 35 37 22 28 1 165
Joaquim Pinto Bezerra e
Maria Águeda Pinto Bezerra
Filhos N Bn Tn Qn Pn Tot
H M H M H M H M H
Manoel 02 05 06 01 13 10 09 10 – 57
Antonia – – – – – – – – – 01
Maria – – – – – – – – – 01
Elisa – 01 01 02 03 04 – – – 12
Olindina 02 – 09 07 19 23 13 18 1 93
Firmina – – – – – – – – – 01
H + 5M 04 06 16 10 35 37 22 28 1 165
Totalização da família de Joaquim
e Águeda Pinto Bezerra
e Águeda Pinto Bezerra
Filhos (F) 06
Netos (N) 10
Bisnetos (Bn) 26
Trinetos (Tn) 72
Tetranetos (Qn) 50
Pentanetos (Pn) 01
Total 165
Observação: Os possíveis erros ocorridos, na citação de centenas de nomes, devem-se provavelmente, falhas nas anotações, razão pela qual peço as minhas desculpas. (Autor)
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